segunda-feira, 29 de novembro de 2010

(Já) Tudo é Arte

Parece que tudo é Arte. Ontem fui a um espectáculo de Dança Contemporânea no Theatro Circo chamado "Entre Vistas". Bem, posso dizer com certeza que, durante todo o espectáculo, que era um solo, não vi um único momento em que o suposto artista dançou. Então se era um espectáculo de dança, como é que ele não dançou? Perguntam vocês. Pois, não dançou de forma alguma, pelo menos no meu reduzido conceito de dança. O que ele fez durante todo o espectáculo foi puxar uns fios, desfazer um novelo enorme e fazer um labirinto juntando peças, uma a uma, demorando imenso tempo, depois tornou a enrolar o novelo e puxou um fio, desligaram-se as luzes. Acabou o espectáculo. Ficamos todos a olhar uns para os outros, do género "Mas que raio se está a passar? Será que vimos mal no papel? Será que dizia Arte Contemporânea?" Não. Era mesmo dança. DANÇA CONTEMPORÂNEA. Como pode ser dança se ele foi meramente mecânico, como se estivesse a fazer algo no dia-a-dia, algo sem ter nada de dança, nada de belo, nada de fascinante... Talvez a culpa seja minha, não tenho um faro apurado o suficiente para cheira uma arte tão forte e inalcansável. Dizem que a dança é tudo que tenha ritmo e movimento, mesmo que este seja mecânico e quase estático ou até apenas correr durante toda a peça, sem fazer nada para além disso. Qualquer dia também vos convido para me verem dançar perante uma plateia; mas ficarei apenas sentada a balouçar no palco, fazendo arte da mais pura. Não sei o que é a dança afinal, não sei mesmo. Mas sei que paguei oito euros e não vi ninguém a dançar. Ponto final

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